Kaizen não é coisa de indústria.
O ciclo PDCA resolve problema onde existe processo — hospital, transportadora, laboratório, escritório, hotel. Veja o mesmo método aplicado em setores diferentes, cada projeto com seu Diagrama A3 fechado.
Redução do retrabalho na linha de montagem
Produção · Montagem final · Mar/2026 – Jun/2026
Planejar
A equipe foi ao posto de fixação, mediu o problema e encontrou 70% dos retrabalhos num único defeito: parafuso frouxo.
O retrabalho na linha de montagem final rondava 12% das unidades (média de 6 meses, entre 9% e 15%), bem acima da meta interna de 5%, desde a troca do fornecedor de parafusos em jan/2026. A líder da área reuniu a equipe, foi ao posto de fixação e apontou o problema diariamente na folha de verificação: ~70% dos retrabalhos eram do tipo parafuso frouxo, concentrados no 2º turno. O Ishikawa levantou quatro causas potenciais, e o Pareto priorizou duas, que juntas respondiam por ~80% dos casos. A medição de torque em amostra mostrou ~30% das fixações abaixo do mínimo, e a observação no local encontrou a parafusadeira do 2º turno descalibrada. Com as causas-raiz confirmadas, a meta ficou clara: reduzir o retrabalho de 12% para 5% até 30/jun/2026, uma lacuna de 7 pontos percentuais. O plano 5W2H saiu com duas ações, cada uma com dono e prazo. (projeto ilustrativo)
P1 Qual é o problema, em números? Onde ocorre e desde quando? Qual o impacto para a área e para o cliente?
O retrabalho na linha de montagem final está em 12% das unidades, média dos últimos 6 meses, acima da meta interna de 5%. Concentra-se no posto de fixação e vem desde a troca do fornecedor de parafusos, em jan/2026. O impacto aparece em horas extras, atraso de entrega e reclamação da expedição.
P2 Quem sofre com o problema e por que resolvê-lo agora é importante?
Quem sofre é a expedição, que recebe produto atrasado e reclama de peça solta, e no fim o cliente final. A regra da área é simples: o produto não pode chegar com falha de fixação. Resolver agora importa porque o problema persiste desde jan/2026 e consome ~R$ 8 mil/mês em horas extras e refugo.
P3 Qual é a situação atual, com dados históricos?
A linha de referência, com dados históricos de 6 meses, é 12% de retrabalho, oscilando entre 9% e 15%. A folha de verificação do posto, apontada diariamente, mostrou que ~70% dos retrabalhos são do tipo parafuso frouxo e se concentram no 2º turno. A lacuna até a meta é de 7 pontos percentuais.
P4 Qual é a meta do projeto? (objetivo + valor + prazo)
Reduzir o retrabalho da linha de montagem de 12% para 5% até 30/jun/2026. Isso captura ~58% da lacuna do indicador e devolve o posto de fixação ao padrão esperado pela área.
P5 Qual é o escopo? Quem participa da equipe e quem patrocina o projeto?
Dentro do escopo: o posto de fixação da linha de montagem final. Fora: usinagem, pintura e logística de entrada. A equipe é formada pela líder de linha, um técnico da qualidade e dois montadores, com patrocínio do gerente de produção.
P6 Quais são as causas potenciais do problema?
O Ishikawa levantou quatro causas potenciais: torque de aperto inconsistente (máquina), parafuso fora de especificação (material), treinamento do 2º turno (mão de obra) e ausência de padrão de aperto (método).
P7 Quais causas-raiz foram priorizadas e comprovadas — e com qual evidência?
O Pareto priorizou torque inconsistente e parafuso fora de especificação, que juntas respondem por ~80% dos casos. A medição de torque em amostra mostrou ~30% das fixações abaixo do mínimo, e a observação no Gemba encontrou a parafusadeira do 2º turno descalibrada. Causas-raiz comprovadas: (1) parafusadeira descalibrada e (2) lote de parafusos com cabeça fora de tolerância.
P8 Qual é o plano de ação (5W2H) para atacar as causas-raiz?
Plano 5W2H com duas ações, cada uma atacando uma causa-raiz: (1) plano de calibração com trava de torque na parafusadeira, com a manutenção e a líder de linha; (2) inspeção de recebimento do parafuso com devolução do lote não conforme ao fornecedor, com o técnico da qualidade. A calibração entrou primeiro por ser de alto impacto e baixo esforço. Prazo dentro do período do projeto, com piloto de 2 semanas no 2º turno antes de estender aos demais.
Executar
Calibração com trava de torque e inspeção de recebimento saíram do papel num piloto de 2 semanas no 2º turno.
A execução começou por onde o problema morava: um piloto de 2 semanas no 2º turno. A manutenção implantou o plano de calibração e instalou a trava de torque na parafusadeira, enquanto a qualidade ativou a inspeção de recebimento do parafuso e devolveu ao fornecedor o lote com cabeça fora de tolerância. Durante o piloto houve um ajuste: a trava precisou de regulagem fina para o torque-alvo do novo padrão, feita pela manutenção sem parar a linha. Com o piloto validado (retrabalho caiu para 5,2%), as mudanças foram estendidas aos demais turnos. Os montadores foram treinados no novo padrão de aperto, com registro de presença, e a expedição foi comunicada da mudança. Tudo ficou documentado na folha de verificação e nos registros de calibração.
D1 As ações do plano foram executadas conforme previsto? O que foi feito, por quem e quando?
Sim, as duas ações do plano foram executadas: a manutenção implantou o plano de calibração e a trava de torque na parafusadeira, e o técnico da qualidade ativou a inspeção de recebimento do parafuso, com devolução do lote não conforme ao fornecedor. A implantação começou por um piloto de 2 semanas no 2º turno, onde o problema se concentrava, e depois foi estendida aos demais turnos.
D2 Houve desvios ou ajustes em relação ao plano? Quais e por quê?
Houve um ajuste durante o piloto: a trava de torque precisou de regulagem fina para chegar ao torque-alvo definido no novo padrão, feita pela manutenção sem parar a linha. Fora isso, o plano seguiu como previsto, e a equipe aproveitou o piloto para reforçar o treinamento dos montadores do 2º turno.
D3 Quem foi treinado ou comunicado sobre as mudanças? Como?
Os montadores do 2º turno foram treinados no novo padrão de aperto durante o piloto, e os demais turnos na extensão, sempre com registro de presença. A expedição e o gerente de produção foram comunicados nas reuniões diárias da linha e pelo quadro de gestão à vista.
D4 Quais evidências registram a execução?
A execução ficou registrada na folha de verificação diária do posto, nos registros de calibração da parafusadeira e no relatório de inspeção de recebimento com a devolução do lote. Fotos do posto antes e depois, com a trava de torque instalada, completam a evidência.
Checar
O retrabalho caiu de 12% para 4,3%, superando a meta de 5%, com ganho de ~R$ 9 mil/mês.
A verificação usou o mesmo indicador e a mesma folha de verificação do início do projeto, sem mudar a régua. No piloto de 2 semanas o retrabalho já havia caído de 12% para 5,2%, a 0,2 ponto percentual da meta. Com as ações estendidas a todos os turnos, o índice fechou em 4,3%: meta de 5% batida e superada. A queda de 7,7 pontos percentuais representa ~R$ 9 mil/mês em horas extras e refugo evitados. A melhoria veio exatamente do defeito parafuso frouxo no 2º turno, onde as contramedidas atuaram, e nenhum efeito colateral apareceu no ritmo da linha. Com a meta atingida, a equipe registrou o resultado e apontou o segundo item do Pareto como candidato ao próximo giro.
C1 O resultado foi confirmado com dados? Compare o depois com a situação inicial.
Sim, o resultado foi confirmado com os dados da mesma folha de verificação diária usada na linha de referência: o retrabalho caiu de 12% para 4,3% das unidades. No piloto de 2 semanas no 2º turno o índice já havia chegado a 5,2%.
C2 A meta foi atingida — ou quanto dela? Qual o ganho obtido (no indicador e, se possível, em R$)?
A meta de 5% foi atingida e superada: o índice fechou em 4,3%, uma queda de 7,7 pontos percentuais. O ganho apurado é de ~R$ 9 mil/mês em horas extras e refugo evitados, acima dos ~R$ 8 mil/mês estimados no planejamento.
C3 As ações executadas explicam o resultado? Houve efeito colateral em outro indicador?
Sim: a queda veio do defeito parafuso frouxo, no 2º turno, exatamente onde a calibração com trava de torque e a inspeção de recebimento atuaram. Não houve efeito colateral: o ritmo da linha e os demais tipos de defeito seguiram estáveis.
C4 Se a meta não foi atingida (total ou parcialmente), o que a verificação mostrou?
A meta foi atingida por completo, então nada volta ao próximo giro por pendência. A verificação registrou 4,3% ante a meta de 5%, e a equipe anotou o segundo tipo de defeito do Pareto como oportunidade para o próximo ciclo.
Agir
POP publicado, carta de controle diária no quadro da linha e padrão de calibração replicado para a linha 2.
Para o resultado não escorregar de volta, o novo jeito de trabalhar virou padrão: POP de aperto com torque-alvo e trava configurada, mais instrução de inspeção de recebimento do parafuso, ambos treinados com a equipe. O índice de retrabalho passou a ser acompanhado numa carta de controle simples, diária, exposta no quadro de gestão à vista da linha, com a líder da montagem como dona do processo. O plano de reação é claro: se o retrabalho passar de 6% em um dia, a orientação é parar, recalibrar a parafusadeira e checar o lote de parafusos. Após 8 semanas, o índice seguia estável em ~4,5%, ganho sustentado. As lições foram registradas e o padrão de calibração foi replicado para a linha 2. O próximo giro do ciclo já tem alvo: o segundo tipo de defeito do Pareto.
A1 O novo jeito de trabalhar foi padronizado? (POP / instrução de trabalho)
Sim: foi publicado o POP de aperto com torque-alvo e trava configurada, além da instrução de inspeção de recebimento do parafuso. Os montadores de todos os turnos foram treinados no padrão novo, com registro.
A2 Como o resultado será monitorado daqui pra frente — e quem é o dono do processo?
O índice de retrabalho é acompanhado numa carta de controle simples, diária, exposta no quadro de gestão à vista da linha. A dona do processo é a líder da linha de montagem.
A3 Qual o plano de reação se o indicador voltar a piorar?
Se o retrabalho passar de 6% em um dia, a regra é parar, recalibrar a parafusadeira e checar o lote de parafusos antes de retomar o ritmo normal. A reação está descrita no próprio quadro da linha.
A4 Quais lições ficaram, onde a melhoria pode ser replicada — e qual o próximo giro do ciclo?
Ficaram duas lições: causa comprovada no local vale mais que opinião, e calibração precisa de rotina, não de correção pontual. O padrão de calibração já foi replicado para a linha 2, e após 8 semanas o índice seguia estável em ~4,5%. O próximo giro do ciclo vai atacar o segundo tipo de defeito do Pareto.
Em quatro meses, a equipe da montagem final reduziu o retrabalho de 12% para 4,3% das unidades, superando a meta de 5%. A queda de 7,7 pontos percentuais representa ~R$ 9 mil/mês economizados em horas extras e refugo evitados. Após 8 semanas de acompanhamento, o índice seguia estável em ~4,5%, e o padrão de calibração já foi replicado para a linha 2. (projeto ilustrativo)
Pronto pra girar o seu ciclo?
Use este case como referência de profundidade — descreva com fatos e números, comprove a causa com evidência, confirme o ganho e padronize.
